Eu não gostava muito, mas me acostumei. Me
acostumei a acordar cedo Domingo pra ir à praia, a sair mais do que gostaria, a
ter o cabelo mais comprido e as saias mais curtas. Me acostumei a ver menos os
meus amigos e a nunca vê-los sozinha. Me acostumei ou me adaptei, já não sei. Escrevo pra me entender e pra entender o mundo. Escrevo o que me dá na telha, o que me dói e o que me faz feliz.
Tuesday, June 12, 2012
Solteiro sempre, namorando, às vezes.
Eu não gostava muito, mas me acostumei. Me
acostumei a acordar cedo Domingo pra ir à praia, a sair mais do que gostaria, a
ter o cabelo mais comprido e as saias mais curtas. Me acostumei a ver menos os
meus amigos e a nunca vê-los sozinha. Me acostumei ou me adaptei, já não sei. Friday, November 25, 2011
Procura-se um amor

Procura-se um amor que goste de brincar.
Não com sentimentos, mas com cachorros e nuvens no céu.
Procura-se um amor paciente,
Que faça amor sem pressa e construa com calma uma relação.
Procura-se um amor diferente,
Diferente dos amores corriqueiros,
Diferente dos amores inventados, ensaiados.
Procura-se um amor real.
Que encare com graça o tédio do Domingo, a preguiça de ir ao supermercado ou o carro quebrado.
Procura-se um amor intrometido,
Que queira se meter na minha vida, sem pedir licença.
Procura-se um amor gentil,
Que me ofereça a mão, o colo e o ombro de vez em quando.
Procura-se um amor que queira arriscar-se,
Que queira sentir cheiro de chuva, que se encante com nada.
Procura-se um amor que goste de sorrir
E que não precise de grandes motivos para isso.
Procura-se um amor que goste de beijar
E de abraços e do dia dos namorados.
Procura-se um amor que deseja ser encontrado,
Que deseja ser amado,
Que deseja amar também.
Friday, June 10, 2011
Parte I - Fast Love
Li numa pesquisa, dessas tantas que fazem por aí, que os espectadores de comédias românticas, têm um comportamento distorcido nos seus relacionamentos. Esta pesquisa mostrava que pessoas que assistem com frequência a este estilo de filme, estão tornando-se “viciados em finais felizes”.
Juntando esta informação com o que observo diariamente, percebo nas pessoas e pasmem, principalmente nos homens, um tipo de romantismo distorcido que acredita que o amor acontece como num passe de mágica, assim que você olha ou até beija alguém. Parecem mesmo esperar que aconteça como nos filmes, quando sobe a trilha e os dois sabem que encontraram a tal “pessoa da sua vida”.
Então o amor passa a ser um tudo ou nada, é ou não é. Exatamente como se fossemos todos personagens com comportamentos e falas previamente ensaiados. Tudo feito para combinar e agradar o outro.
Mas, olhando à minha volta, vejo que muitos dos casais mais verdadeiros, harmônicos e inspiradores que conheço, conheceram-se no trabalho, na escola, curso, na sua rua ou condomínio, etc. Ou seja, estas pessoas tiveram um tempo de convivência, puderam rir juntos, dividiram uma rotina, puderam avaliar como o outro se saia em diferentes situações e tudo acabou aproximando-os até que, de amigos ou conhecidos, acabaram apaixonando-se e depois perceberam que amavam-se.
Claro que nem sempre é assim, não existe uma regra sobre a forma ou o lugar para conhecer alguém. Mas o que não podemos, é conhecer alguém num dia e no dia seguinte ou na semana seguinte, dizer: não é o homem ou mulher da minha vida.
Mas é claro que estamos falando de alguém por quem você sentiu algum tipo de interesse inicial.
Outra consideração a fazer, é que você pode ser muito feliz, com pessoas com quem você não passará o resto dos seus dias, com quem não terá filhos e netos e tudo bem. Ainda sobram dias e noites maravilhosos, viagens, descobertas e milhares de histórias pra contar.
Mas, definitivamente não somos personagens, ninguém é completamente fofo e nem completamente traste.
Nem todos os amores são descobertos num esbarrão, num beijo ou numa noite. Portanto, vamos dar tempo para conhecer melhor e poder amar as pessoas.
Afinal, o amor não tem fórmula, não tem roteiro, não tem hora pra acontecer e é maravilhoso por isso. Mas uma paixão ou interesse, precisa ser alimentado, para que transforme-se em algo mais e algo mais pode ser amor, ou não, mas descobrir isso pode ser delicioso.
Parte II- Será que é amor?
Então tá. Estou saindo com alguém há algum tempo. Conversamos, passeamos, jantamos, viajamos, etc e tal.
Como saber se aquele interesse ou a paixão inicial, realmente é amor?
Esse papo surgiu com uma amiga e acabei pensando melhor sobre o assunto. Então perdoem as mais pudicas, mas acho que esta situação se assemelha um pouco ao orgasmo feminino. Acho que muitas mulheres acham que nunca tiveram um, simplesmente porque estão esperando pelo orgasmo do filme. Aquele em que a mocinha se contorce inteira como se protagonizasse uma cena de exorcismo.
Acho que algumas pessoas também acreditam que nunca vivenciaram o amor, simplesmente porque estão esperando o drama, a intensidade arrebatadora e as cenas mágicas dos filmes e novelas. A verdade é que as vezes, as circuntâncias até levam a isso. No caso, os amores não correspondidos ou à distância, os amores proibidos, os interrompidos, mas na maioria dos casos você descobre o amor de forma muito, muito sutil, não existem os fogos, nem a música, nem a cara de bobo...tá a cara de bobo, talvez.
Acho que é algo como um dia você acorda, olha para a pessoa e pensa que acordaria ao lado dela, exatamente como nesse dia, por muitos dias mais, anos talvez.
Mesmo sabendo que daqui a pouco ele vai reclamar que está atrasado e você vai reclamar que ele nunca tem iogurte, ou até coisas bem mais complexas.
Aí, você pode virar para o seu parceiro e dizer: eu te amo. Sem esperar que ele diga o mesmo, porque a descoberta muitas vezes não acontece ao mesmo tempo, mas isso já é outro assunto.
Parte III- Eu já sei e o outro nem desconfia
Da série, mulheres são de Vênus e homens são de Marte. Mas eu conheço mulheres que são de Marte e homens que meu Deus do Céu, não apenas são de Vênus como parecem viver lá.
Mas, discussões sobre diferenças à parte, porque é tão difícil acertar os calendários do relacionamento? Parece que um está sempre pedindo calma ao outro.
Um está ficando, o outro já está namorando. Um está pronto pra casar e o outro está achando ótimo namorar. Um está gostando, o outro está apaixonado. Um ama, ou outro adora.
A verdade é que seres humanos tem diferenças que têm sido ignoradas e pouco toleradas nos nossos dias.
Cada cabeça é um mundo, um mundo onde as coisas têm significados diferentes, onde o que para mim é romance, para o outro é rotina. Onde ligar para dizer que adorou o encontro, para um é carinho para o outro é exposição demais e pode gerar conseqüências sérias.
Como sobreviver a tantas armadilhas? Para mim, a resposta está na espontaneidade. Acho que tem faltado coragem para expor o que se sente. Aí, fica todo mundo esperando que o outro fale primeiro, que o outro procure, que o outro ligue, que o outro faça.
Faça antes ou faça depois, mas faça quando estiver com vontade. Compreenda o que é exagero, mas escute seus impulsos. Se o outro não for capaz de compreender, provavelmente ele não está pronto para você ou para o que você deseja.
Exponha como você gostaria que fosse, o outro pode concordar ou não, mas vai saber o que está dentro da sua cabeça e como é, o seu mundo.
Mas, antes de mais nada, explore bastante a sua cabeça, conheça seu próprio mundo. Esta é uma tarefa árdua, mas completamente necessária para quem quer conviver com o mundo do outro.
Wednesday, June 30, 2010
Eu só quero é ser feliz.
Ser feliz é ser igual? É ter as mesmas alegrias, os mesmos dias azuis, os mesmos parabéns, companhia pra jantar, o mesmo corpo, ver os mesmos filmes. Ser feliz é ser igual.
A felicidade é um ponto, um dia de carnaval, quando não se precisa ser igual, quando se tem coragem para ser livre, pra ter outro corpo, ter a todos e não ter ninguém, não ser ninguém.
Me vejo sentada nos degraus da escada entre a varanda e o quintal. Sozinha, eu olhava tudo a minha volta. O quintal mal cuidado, a terra molhada, o pé de goiaba. Pensava em como seria não estar ali. Ter um lugar arrumado, onde nada estivesse fora do padrão, um cabelo liso e peitos iguais aos da Cris. Me vejo forte, feliz por poder ter tudo o que queria.
Ser feliz é sofrer e depois sorrir. Como ir para a casa da avó tratar a bronquite numa cidade distante e fria. Numa casa sem crianças, onde o lanche é posto à mesa todas as tardes. Medo, saudade e depois ter todas as suas vontades atendidas, presentes, passeios, roupas de boneca, felicidade. Você merece, porque você sofreu. Só quem sofre merece ser feliz?
Ninguém pode nascer feliz, como eu achei que a Nara fosse, ter um pai inteligente e gentil e uma mãe frágil e preocupada com todos os seus movimentos e aquela mesa no café e aquele quarto. Porque ser feliz é diferente para cada um e porque seria muito triste já nascer feliz, afinal, o que você faria com o resto da sua vida?
Ser feliz é buscar sempre, cansa, tem que cultivar isso e aquilo, aprender idiomas que dizem a mesma coisa, fazer amigos, viajar, ir a festas, tirar fotos, sorrir, fazer o que gosta, ter uma casa arrumada, um gato, um amor.
Ninguém se atreve a não ser feliz. Porque a tristeza ofende, preocupa, a tristeza atormenta, tira o apetite e o tesão. Você tem que ser feliz, é o que dizem.
Pense por um instante no que te faz feliz de verdade. É algo que se compra? Ganhe dinheiro. É alguém? Encontre. É um lugar? Parta. É aqui? Fique. Parece impossível, mas é a parte mais fácil. O difícil vem depois, no exato momento em que, de posse do que te atormentava os desejos, você simplesmente se questiona: O que é a felicidade?
Sunday, June 27, 2010
Silêncio
Nem da chuva e ainda bem que ela caiu.
Nem do vento que balança agora os vidros da minha janela.
Quero falar do silêncio,
Das coisas que teimam em não ser ditas.
Quero falar do que ficou,
E do que nem aconteceu.
Quero falar e também quero calar,
Mas quero soprar versos em seus ouvidos.
Que eles entrem sorrateiros
Em seus sonhos de menino
E que eles te façam sonhar aqui
Em meus lençóis.
Posto que o mundo é tão pequeno,
Que nem vale a pena não falar
E nem a chuva, nem o vento
Nem nada e nenhum pensamento,
Vai me te tirar a vontade
De estar em silêncio.
Wednesday, June 23, 2010
Mio
Ela escreve poesia,
Ele se enrosca nela,
Ela se encaixa nele.
Ele sorri,
Ela adora.
Ela não dorme sem hidratante,
Ele precisa de pijamas.
Ela não fecha o chuveiro,
Ele esquece a toalha.
Ele sente o perfume dela,
Ela adora o cheiro dele,
Eles sentem fome juntos,
E riem juntos,
Ela conta seu dia,
Ele quer conhecer filosofias,
Eles adoram dormir juntos,
Mas nunca dormem, quando estão juntos.
Ele fala de ciências,
Ela de poesia,
Ele diz que ela parece uma criança,
Ela diz que adora quando ele a acaricia.
Ele quer ir a Veneza,
Ela quer trocar por Paris.
Ele diz coisas lindas,
Ela chora sem ele ver.
Ele a chama pelo nome,
Ela o chama de amor.
Eles adoram abraço,
Eles adoram sorvete,
Eles adoram se ver.
Mil perdões
Quem não consegue perdoar, se acha incapaz de errar e de precisar de perdão. Quem não perdoa carrega consigo pra sempre uma dor, uma corrente, onde cada elo representa um julgamento onde foi o juiz e também o réu.
Perdoar a si mesmo pelas falhas cometidas, perdoar ao outro, perdoar mesmo que não possa ter certeza do julgamento que fez, se quem você perdoa realmente precisava do seu perdão.
O perdão limpa, purifica, fortalece. O perdão é superior, perdoar é evoluir, é seguir em frente. O perdão é puro, é doce, acalenta, faz feliz.
Permita-se perdoar. Comece por perdoar a si mesmo. Fique tranqüilo, isso não significa ser condizente com seus erros. Mas perdoe-se, para poder aprender com eles.
Perdoe-se pelas vezes que não viu o que achou que deveria ter visto, pelas vezes que se enganou, pelas vezes que não deu certo.
Depois de se perdoar comece a perdoar ao seu redor. Perdoe quem não consegue ver o óbvio e quem não faz nada mesmo depois de ter visto. Perdoe quem mente, quem julga e até quem não sabe perdoar.
Pare pra pensar, você certamente encontrará a quem perdoar. Faça uma lista e saia por aí perdoando sem parar. Perdoe em silêncio, deixe mensagens de perdão, mande cartas pedindo e dando perdão, telefone, mande e-mail, não importa como, não importa a quem, apenas perdoe.
Encare como uma campanha, como uma filosofia, como um passatempo ou até como uma nova dieta, já que fará sentir-se mais leve.
Bem, mas eu te perdôo se você não se sentir pronto para começar, afinal, cada um tem seu tempo, mas comece a pensar nisso, ou não vou te perdoar, ops.
Monday, May 25, 2009
Recomeço
Não sabia o que encontrar,
Tinha medo de errar de novo.
E eu que nem queria o seu olhar,
Não queria me encontrar,
Encontrei você aqui.
E eu que só queria olhar pra trás,
Rever meus passos outra vez,
Saber de novo onde errei.
E eu que não queria perdoar,
Não queria mais seguir,
Tinha raiva em meu olhar,
Tinha sonhos pra deixar pra trás.
Te encontrar foi como me perder em algum mar,
Num quarto escuro sem saber o que buscar.
Então me ajuda a caminhar,
Tenho medo de não saber voar,
Então me empresta o seu olhar,
Me deixa ver de novo o mar,
Me deixa ver, que ainda sei amar.
Sunday, February 08, 2009
O carro azul
Vi um filme em que uma mulher se mudou, trabalhou durante um ano em dois empregos, dia e noite, para realizar o sonho de ter um carro, andava de ônibus há muito tempo e estava cansada. O carro era o seu símbolo de realização. Depois de um ano comendo sanduíches para economizar e perdendo noites de sono, ela finalmente conseguiu o que queria, um velho carro azul que poderia levá-la aonde quisesse. E adivinha aonde ela queria ir? Ela queria encontrar um amor, que há muito tempo havia deixado para trás para sair em busca do seu sonho de ter um carro.
Fiquei pensando na minha própria busca e no que cada um de nós deseja e realmente necessita para ser feliz. Para ver se tudo faria sentido, comecei a imaginar como seria a minha vida se eu nesse momento já tivesse tudo aquilo que quero. E lá estava eu, sentada em algum lugar pensando em tudo o que havia deixado pra trás, em todo o esforço que eu fizera para alcançar o que tinha. Mas acima de tudo, eu pensava nas coisas que eu ainda queria, ainda desejava. A lista era enorme, não sabia se daria tempo. Também não consigo saber se estava feliz ou não.
Conversando com a minha irmã sobre um momento não muito bom da minha vida, ela me propôs que largasse tudo e começasse de novo, que fizesse tudo diferente. Um convite tentador, porque não aceitar? Uma aventura é sempre uma chance de ser feliz ou ao menos de ter outra história.
Mas me sinto presa às minhas próprias expectativas, aos meus planos, aos meus desejos. Começar de novo seria como tentar pegar um atalho para chegar mais rápido, porque na verdade eu levaria comigo tudo o que desejo.
O que é o seu carro azul? Descobri que não sei o que é o meu. Talvez eu já o tenha, talvez eu nunca consiga tê-lo. Talvez quando eu o encontrar eu volte com ele para tudo o que deixei pra trás, tudo o deixei de fazer para poder conquistá-lo.
Monday, October 27, 2008
Porque não elegemos Gabeira.
A eleição do Rio de Janeiro nos mostrou alguns traços básicos da nossa personalidade como eleitores. Elegemos mais um governante com tudo o que um político tem que ser. Um jovem que tenta parecer maduro, com seu terno de grife e cabelos muito bem penteados. Nas propostas, também, nada de novo - apenas as velhas idéias. A partir de agora, ninguém mais ficará em filas nos hospitais, nenhuma criança ficará sem creche ou escola, pagaremos o preço justo pelo transporte, etc., etc. e tal. Nada contra, nada novo, nada demais.
A novidade estava no Gabeira, a novidade e o risco. Porque temos tanto medo de nos arriscar? De fazer um novo caminho, de ouvir uma nova proposta, um novo jeito de fazer o antigo?
O novo nos paralisa, nos faz ter medo. E se der errado? E se não for bom? Tantas questões fáceis de responder se pudermos anular a paralisia que o medo nos dá.
Mas nem tudo está perdido, a onda verde do Gabeira nos deixou marcas. Nos mostrou que é possível ganhar eleição fazendo de um outro jeito, sem sujar as ruas, sem fazer promessas vazias, sem querer parecer um super-herói.
O Gabeira nos fez ver que nós podemos deixar de ser subdesenvolvidos no pensamento, podemos pensar como pensa os cosmopolitas, pensar em grandes idéias, em grandes feitos, em grandes proporções.
Daqui a quatro anos poderemos ver o resultado do nosso medo. Será que teremos novas escolas, novos hospitais e novas ruas de fato? Ou apenas teremos maquiado as velhas paredes? Porque novas escolas dependem de novos olhares sobre a escola que temos hoje. Novos hospitais dependem de passarmos a ver os pacientes como pessoas e não com números de prontuário. A violência, a fome, a miséria, de tudo já se fez para acabarmos com essas mazelas. Mas fazemos sempre o mesmo. Tentamos as mesmas saídas, sempre sem sucesso.
“Cada povo tem o governo que merece”, esta célebre frase, resume o sentimento de hoje. Merecemos o velho, pelo medo do novo. Então que, pelo menos em nossas vidas, tenhamos, a partir de hoje, um pouco de Gabeira. Vamos deixar pra trás os velhos modelos, os velhos caminhos. Vamos tentar uma nova música, um novo amor, uma nova forma de ver nossos filhos, nossos pais, nossos empregos.
Obrigada Gabeira, o Rio de Janeiro ficou um pouco mais maravilhoso, depois de você.
Líu Brito
Tuesday, April 29, 2008
A tristeza alimenta a alegria
O fato é que vivemos fugindo do que é triste, como se o triste fosse contagioso.
Estou de molho em casa por conta de uma pequena cirurgia. Nem tão triste assim, apenas mais um percalço da vida, nada demais. Mas não posso sair, preciso de repouso, ficar em casa, colocar a leitura em dia, ver programas de TV que nunca dá tempo e ganhar carinho e paparicos.
Bem, ando meio carente neste período de reclusão e talvez por isso, senti muita falta das visitas que não vieram. Pensando nas razões que levaram meus amigos a darem telefonemas sem aparecer, me vieram algumas teorias.
A primeira delas, me fez lembrar que uma grande amiga acaba de se casar. O anúncio do casamento veio quase que paralelo ao anúncio que de eu teria que me operar. Comecei então a pensar na comoção que o casamento criou, até porque fiquei bem triste de não poder participar. Longos e-mails discutiram as roupas que deveriam ser usadas, as visitas ao shopping, o presente certo, etc e tal. Um casamento é uma renovação, representa um dia de felicidade tão extremo que é impossível não se contagiar. Todos querem estar presentes para se beneficiar deste momento, desta alegria.
Paralelo a isso, um amigo doente, representa uma tristeza, um momento ruim, do qual ninguém está livre, não dá pra convidá-lo a sair e esquecer o que houve em algum lugar com música e gente bonita. Não precisa de roupa, de presente, não combina com euforia.
Alegria reúne, a tristeza afasta. Pare pra pensar, você vai perceber que nos seus momentos de felicidade - aniversários, casamento, nascimento, você esteve muito mais acompanhado do que nos momentos de tristeza.
A minha mãe e o namorado, que têm sido minhas companhias me perguntam: onde andam seus amigos? E aquela sua amiga, não vem te visitar? Sinto-me cobrada, mas não consigo culpá-los, ao contrário disso, compreendo.
Compreendo porque eu também adoro as festas, os aniversários, os casamentos. Mas me entristeço, porque sei que meus amigos não faltariam ao meu casamento e lotam as mesas de chope no meu aniversário.
E antes que comece a questionar se tenho amigos de verdade, resolvi pensar em como vivemos a vida buscando na alegria alheia a nossa própria. Um amigo distante me mostrou esse ponto de vista hoje e concordei. Vivemos tentando sorver alegria, quase que sugar um contentamento que não está em nós.
Eu, você, todo mundo é assim, constantemente em fuga. Fugimos de tudo o que é ruim e doloroso, nos protegemos para sobreviver. Mas o contato com a tristeza faz a alegria ficar mais alegre. A tristeza promove o equilíbrio, nos faz lembrar de como é bom sorrir. Adoro o verso que diz que é melhor ser alegre que ser triste, mas a verdade é que fugir da tristeza não impede de a encontrarmos em alguma esquina da vida.
Por isso, vamos sair do nosso mundo encantado e começar a visitar os amigos dodóis e até os não amigos também. O meu vizinho de quarto no hospital era um velhinho que estava sempre sozinho. Quis emprestar a minha mãe pra ele, porque se ficar no hospital já é ruim, sozinho então é sem comentários.
Equilibre a sua alegria com a tristeza de alguém, junte a sua companhia com a solidão de alguém, suas palavras ao silêncio de quem não tem com quem falar, porque caridade é bem mais do que doar alimentos e roupas usadas, é doar amor.
Sunday, November 18, 2007
Parece um teorema
Foi no meio dessa avalanche, que me meti entre os maiores na casa da minha tia Nilza, para ouvir uma música que falava de índios e deixava a todos enlouquecidos, provocando discussões acalouradas. Antes que a minha irmã mais velha percebesse a minha presença e me enxotasse dali, já tinha me apaixonado pela beleza dos versos do Legião. Tão doces e tão fortes.
Conheci uma nova poesia, que não falava apenas de garotos e corações dilacerados, mas discutia coisas bem mais sérias, como as notícias que painho via no Jornal Nacional. Nunca imaginei que elas pudessem virar versos. Estava atônita, tentava entendê-lo, repeti-los.
Esse exato momento da minha vida me veio à tona por esses dias, quando uma situação me fez lembrar o verso, “é só você quem deve decidir o que fazer pra tentar ser feliz”. Busquei então a música, e comecei a pensar nesta grande responsabilidade que tantas vezes empurramos com a barriga. Até porque é tão mais fácil ficar repetindo a culpa da crise econômica, dos homens que não querem se comprometer, do chefe que não compreende, do cabelo crespo, da dificuldade para emagrecer, dos hormônios na TPM...
Assim como, quando éramos adolescentes, as dúvidas sobre a vida e sobre o sexo oposto continuam perturbando nossos dias, mas apesar disso e de não termos mais a poesia do Legião, ainda está em nossas mãos, tomar decisões sobre o que fazer pra tentar ser feliz. Então lamento, se você escolheu ficar com alguém, que não sabe o que quer da vida, vai ter que arcar com o ônus do sofrimento, das discussões, do vou não vou. Se você escolheu uma carreira que não vai te deixar rico, lá vem alegria de fazer o que gosta com o ônus de estar sempre duro.
Mainha sempre diz que ninguém fica feliz com o que tem no momento. É como se a felicidade fosse sempre um projeto para o futuro. Se está solteira queria muito estar namorando ou até casada, mas se está namorando, perde várias horas pensando em como seria ótimo estar solteira e por aí vai.
Filosofias à parte, a verdade é que, as dúvidas e medos da adolescência, jamais abandonam a nenhum de nós, mudam os assuntos, os alvos, mas a busca pelo que não temos e a dificuldade de aceitar que nossa felicidade é o resultado das nossas escolhas, isso sempre estará aqui. Como diz o Legião, parece um teorema sem ter demonstração e parece que sempre termina mas não tem fim.
Não quero mais ser adulta
Passei a vida lutando para ter expressão e agora ouvi da minha dermatologista que minhas rugas são culpa disso.
Sonhava com o dia que teria pelos. Esses mesmos que agora faço tudo pra arrancar em sessões dolorosas de depilação.
Tudo o que eu queria era alcançar a independência, ir pra onde quisesse sem ter que dar satisfação, mas duvido que as fadas que voavam nas histórias que eu lia, pagassem IPVA, pedágio e taxa de abertura de crédito.
Além de tudo, justamente agora que eu descobri tudo o que eu quero e preciso pra ser feliz, veio junto a certeza de que eu não depende só de mim, exatamente como a decisão de mudar de escola.
Acordei com muita vontade de fazer manha, inventar que estou com dor de barriga pra não sair da cama até as 11 e depois passar o dia fazendo coisas divertidas. Mas meu castelo depende de mim pra se manter de pé, cresci pra virar princesa, guarda do palácio e tesoureiro do rei, não contava com isso, eu juro.
Porque eu não posso simplesmente chegar em casa chorando e dizer pra minha mãe que conheci um garoto chato que me beijou e depois puxou meu cabelo ou alguma coisa assim? Tenho certeza que ela ligaria pra mãe dele que seria obrigado a me pedir desculpas. Afinal, não é assim que se trata uma menina.
Bem, mas não adianta chorar pela boneca quebrada, o jeito é criar coragem, sair da cama e encarar o mundo e as rugas. Afinal, não é tão ruim assim, ainda temos a liberdade pra brincar de médico, tomando os devidos cuidados é claro e ainda dá pra ir á praia, com filtro solar, óculos e chapéu, mas dá. Também ainda podemos tomar sorvete, comer pipoca e brigadeiro, tudo diet, mas nem tudo é perfeito.
Aliás nada é perfeito, mas agora preciso ir, antes de dormir ainda tenho que resolver se ligo ou não ligo, passar o ácido pra amenizar as rugas de expressão e escovar os dentes, porque apesar da minha mãe não estar olhando, dentista está pela hora da morte. Meus sais.
Tuesday, August 28, 2007
Os amores de Maria
A casa e o coração da Maria já passaram por muitas mudanças, mas nenhuma delas abalou os alicerces de tudo aquilo que construiu depois de tanto tempo caminhando, errando e acertando.
Nesse momento, Maria observa a sua casa, pensando em como cada um dos objetos chegaram ali.
A estatueta da última viagem, foi paixão a primeira vista. É uma adolescente negra e grávida, tocou na hora o olhar, ao mesmo tempo de menina e de mulher. Menina de olhos sonhadores e mulher, que é mãe, mesmo antes de ver sua cria.
Os três vasos de pedra sabão, foram comprados em Ouro Preto, mas Maria trouxe de lá algo muito mais inesquecível. Foi lá que ela e Bia se conheceram e depois de tentarem se observar a distância, construíram uma amizade tão resistente e ao mesmo tempo tão leve quanto aqueles vasinhos.
Os olhos agora se encontram com um dos únicos quadros da parede. Uma mistura de texturas e cores que formam uma estampa em tons de verde. Ela lembra de ter gostado dele assim de cara, mas logo que chegou em casa, pensou se deveria ter sido o escolhido. Afinal, eram tantas as opções espalhadas na praça naquele Domingo. Mas naquela tarde, de mãos dadas com o namorado, vendo os olhos apaixonados dele sobre ela, Maria achava que tudo na vida era uma obra de arte. Foi influenciada por esse sentimento que escolheu o presente.
De repente, os móveis parecem dançar a sua frente, ela pensa em suas novas resoluções, essas que todos fazem no fim de um relacionamento ou de do ano ou de qualquer coisa importante. Trocar a cor das paredes, cortar os cabelos, voltar pra academia, na verdade Maria parecia querer mudar a sua mobília interna. Trocar velhos hábitos, idéias ultrapassadas por outras novas. Renovar-se, esse era o desejo dela. Mas não queria perder tudo o que juntou até ali. Suas conquistas estavam totalmente ligadas às mudanças que ela conseguiu realizar na sua forma de ver a si mesma. Levou muito tempo até conseguir transformar a menina tímida e envergonhada na mulher segura e decidida de agora.
Sua personalidade passara muito tempo exatamente como a sua sala, vazia. Tinha sido uma grande e difícil decisão, deixar que a sala ficasse assim para não sucumbir aos móveis baratos que só serviriam para ocupar espaço.
Assim como a sala após o primeiro casamento chegar ao fim, estava o seu coração. A ansiedade de encher tudo como peças novas e coloridas era imensa. Ela quase podia ver tudo o que queria colocar em cada cantinho. Mas sabia que precisava esperar, ou corria o risco de deixá-la parecida com o que era antes, em tons bege e preto.
Maria pensa muito antes de tomar decisões importantes. Precisa levantar todos os prós e contras. Avalia milimetricamente as conseqüências de tudo. Por isso, decidiu que por enquanto tudo ficaria como está, mas incluiria umas flores à decoração da casa.
Olhou novamente a casa vazia, mas já não a via tão vazia assim, afinal, ela estava tão preenchida pelas suas histórias e pelas suas risadas, pela sua própria presença, que está longe de ser vazia.
A garrafa de vinho, um CD de jazz, seu gato dormindo no sofá e Maria foi pra cozinha preparar seu jantar. De repente, não conseguia pensar em prazer maior, em alegria maior do que aquela. Afinal, aquele era exatamente o lugar onde Maria queria estar. Com ela mesma.
Friday, August 24, 2007
Pensamento
O meu olho brilha, minha voz falseia.
Menino de pensar nas noites,
Que nunca tivemos
E na tua boca,
Que é cor de coral,
O corpo todo dança,
Minhas mãos passeiam,
Em teu corpo nu.
Menino, já que teu coração tem dono,
Podias ao menos,
Visitar meus sonhos,
Dar-me beijos inocentes,
Desses beijos de menino,
Que criam mundos paralelos,
De prendas e piás
Dançando em noites de lua.
Menino do coração de açúcar
Dá-me a chance de ver-te sempre,
E de te ter quem sabe um dia,
Passeando em cavalo baio
Com o vento em teus cachos de anjo.
Ai menino, quando eu penso em ti.
Medo
O medo é manto, protege.
Medo do escuro do mundo
Do mar do amor.
O medo mata e amansa, amadurece.
Medo é mola, impulsiona.
O medo é mar.
O mundo muda,
O medo mata.
Medo de amar,
Medo do mar,
De tudo que muda,
De tudo que mata.
Medo de voar,
De virar a esquina,
De acabar o que é doce.
O medo muda,
Mas sempre vive,
A mudar o mundo.
Tuesday, August 07, 2007
Meu pai não é um herói. Ainda bem.
Meu pai não me deu uma festa de debutante, mas eu jamais vou esquecer aquela noite de Janeiro, quando ele convidou um grupo de reisado a entrar em nossa casa para nos brindar com um show.
Meu pai nunca me levou a Disney, mas foram tantas as viagens de veraneio, quando circulávamos descalças entre as barracas do camping. Tantos dias girando de braços abertos à beira do mar. Tantas noites de lua vendo-o pescar sob as estrelas que pipocavam no céu como fogos de artifício.
A honestidade é tudo no mundo, filha. Quantas vezes essa frase foi repetida, como se proferida por um daqueles filósofos gregos. E era apenas meu pai.
Era apenas ele, que desafiava a minha timidez, ao me colocar sobre a mesa de centro, para recitar meus poemas de menina e depois sorrir orgulhoso. Eu ainda posso ouvir.
Eu não tive um desses pais de comercial de TV, que chegam para o jantar e ajudam com os deveres de casa. Mas a sua presença sempre foi tão esperada, que quase não dormíamos quando se anunciava. Talvez as madrugadas mais felizes da minha vida, a que ele chegou com um pequeno filhote ou aquela outra com a bolsinha de palha, enfeitada com cordinhas cor-de-rosa.
Meu pai não me ensinou a dançar, mas me deu força todas as vezes que eu tentei.
Meu pai não me ensinou a falar bonito, mas estava lá com sua risada, sempre que eu me arriscava.
Meu pai não me ensinou a acreditar em Papai Noel, mas chegou tantas vezes de madrugada trazendo presentes.
Meu pai foi peão, adestrador de cavalos, caminhoneiro, fazendeiro, mas nunca foi um herói. Ainda bem, porque já se arriscava bastante sem sê-lo.
Ensinou-me a fazer arroz tropeiro, a assoviar e a acreditar que tudo está sempre bem. Não me ensinou arte ou ofício, além do mistério de fazer amigos.
Um dia ele me disse: Levanta a cabeça filha, não tenha medo de nenhum homem porque você é filha de um. Nunca mais abaixei a minha cabeça e desde então ando com ela erguida, olhando a todos nos olhos.
Meu pai vive tão distante, em seu mundo de sonhos, cavalgadas, riachos e bezerros recém-nascidos. Mas é presença constante em meu mundo, em meus sonhos e em tudo o que eu faço.